A pandemia de COVID-19

Comunicado COVID-19
março 19, 2020
Soluções para Covid-19
abril 8, 2020

Nos últimos dias, recebemos uma infinidade de informações, siglas e conceitos em decorrência da pandemia da COVID-19. Mas, qual a real importância de entender todas essas expressões, onde encontrar informações idôneas e evitar a temida fake news, e o mais importante, como os pesquisadores podem se preparar para estudar esse novo coronavírus?

Surto, epidemia, pandemia e endemia.
O primeiro ponto é compreender que há uma pandemia em curso. Isso significa que o número de casos já ultrapassou o conceito de surto (vários casos de uma mesma doença em um mesmo local ao mesmo tempo) e o conceito de epidemia (situação onde uma doença se espalha rapidamente com um número de casos acima do esperado). Sendo então a pandemia nada mais do que uma epidemia que se espalhou por inúmeros países e/ou continentes acometendo um grande número de pessoas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a COVID-19 como pandemia no dia 11 de março de 2020.
Não existem níveis endêmicos para o novo coronavírus justamente por ser um vírus novo. Com o passar do tempo, pode ser que o novo coronavírus se comporte como algo endêmico, ou seja, ter uma presença constante em uma população de determinada área geográfica, assim como a dengue ou mesmo o H1N1, onde é registrado um número de casos médio anual, com intensidades variadas, em determinadas épocas do ano.
A taxa de detecção da COVID-19 muda diariamente e o número de casos pode ser rastreado quase que em tempo real no site fornecido pela Universidade Johns Hopkins, por exemplo, em: https://coronavirus.jhu.edu/map.html.

Características e origem SARS-CoV-2
Na família Coronaviridae, existem quatro subfamílias dos coronavírus: alfa, beta, gama e delta. O SARS-CoV-2 é um betacoronavírus e é o sétimo coronavírus conhecido que infecta humanos. Enquanto quatro deles causam um quadro com sintomas leves, o SARS-CoV, MERS-CoV e o SARS-CoV-2 foram relacionados à quadros graves.
O acrônimo SARS vem do inglês: severe acute respiratory syndrome. O que em uma tradução literal significa “síndrome respiratória aguda grave”.
Em 12 de fevereiro de 2020, a OMS nomeou oficialmente a doença causada pelo novo coronavírus como Coronavirus Disease 2019 (COVID-19).
O primeiro caso foi reportado pelas autoridades chinesas dia 31 de dezembro de 2019. Aparentemente, o SARS-CoV-2 conseguiu fazer a transição de animais para humanos no Mercado de Frutos do Mar de Huanan em Hubei província da China, cuja capital é Wuhan.
O vírus do morcego denominado RaTG13 – 2013 tem 96% de identidade com o SARS-CoV-2, apontando fortemente para um ancestral comum compartilhado e sugerindo que o novo patógeno humano se originou em morcegos. Tanto o SARS-CoV quanto o MERS-CoV tinham um hospedeiro intermediário para transmissão em humanos, sendo civetas de palmeira (pequeno mamífero comum na Ásia) para SARS e camelos para MERS-CoV. Houve uma sugestão de que o pangolim possa ser o hospedeiro intermediário do SARS-CoV-2, mas isso ainda precisa ser estabelecido. Conhecer o hospedeiro intermediário é um passo importante para entender como o SARS-CoV-2 tornou-se um vírus capaz de infectar humanos. Por exemplo, saber que o MERS-CoV é transmitido aos seres humanos através de camelos permitiu o desenvolvimento de uma vacina para camelos para limitar potencialmente a disseminação desse vírus aos seres humanos. Aprovação para novas vacinas em animais são muito mais fáceis do que em humanos. Além disso, conhecer o hospedeiro intermediário permite que sejam tomadas medidas para limitar o contato humano com o animal (por exemplo, não vender carne desses animais nos mercados de alimentos), o que pode novamente ajudar a reduzir as chances de futuros eventos como o que estamos vivenciando.

Fake news
É notória a proporção que as fake news têm tomado atualmente, quando o Ministério da Saúde precisa disponibilizar uma seção em seu site para desbancar mais de 60 tópicos de notícias falsas que circularam entre a população sobre o novo coronavírus. Desde que o ar no plástico-bolha utilizado em itens vindos da China poderia conter o coronavírus, até receitas milagrosas que prometem matar o vírus. Uma das maiores, senão a maior, fake news que tomou conta das redes sociais e de aplicativos de mensagens desde o agravamento da situação, foi a de que o vírus SARS-CoV-2 foi produzido em laboratório. No entanto, um artigo publicado em 17 de março na revista Nature Medicine revisou estudos estruturais, bioquímicos e computacionais e constatou que devido a características de um receptor de ligação (RBD) otimizado do SARS-CoV-2 e a uma mutação em uma proteína localizada do lado de fora do vírus, é pouco provável que o novo coronavírus seja fruto de manipulações laboratoriais intencionais.

Diagnóstico


Testes para SARS-CoV-2 e usos potenciais (adaptado de Patel, et al. mBio. 23 março 2020).

Existem duas grandes categorias de testes para o diagnóstico do SARS-CoV-2: aqueles que detectam o próprio vírus e aqueles que detectam a resposta do hospedeiro ao vírus. Os testes baseados no RNA viral são os melhores testes que temos no cenário de uma doença aguda. É importante reconhecer que a precisão do teste é diretamente afetada pela qualidade da amostra e, portanto, é fundamental que a amostra seja obtida de maneira adequada e segura.
A primeira etapa para se estabelecer um protocolo de estudo do RNA viral, é possuir um controle positivo do SARS-CoV-2, que irá fornecer confiabilidade para a verificação e validação dos testes subsequentes, que podem ser estudos por sequenciamento de nova geração (NGS) ou utilizando a transcrição reversa seguida de amplificação em cadeia da polimerase (RT-PCR). Uma maneira de se conseguir esse controle positivo é a multiplicação in vitro do vírus a partir de uma amostra de paciente afetado. No entanto, para a realização desse protocolo, é necessário um laboratório com o nível adequado de biossegurança. No caso dos coronavírus associados à síndrome respiratória aguda grave, classe de risco 3.
O vírus é acrescentado a uma monocamada de células cultivadas e começa então a se multiplicar. No caso do coronavírus, o tempo médio de cultivo varia de 36 a 72 horas. A partir do momento que o vírus começa a ser liberado no meio extracelular, é possível coletar o sobrenadante e fazer a extração do material genético, o RNA viral, e estabelecer assim o controle positivo. A reação em seguida visa, simplificadamente, encontrar fragmentos do genoma do vírus nas amostras de pacientes com suspeita da COVID-19. Caso esses fragmentos virais sejam encontrados, pode-se afirmar que o paciente testou positivo para a doença.
A outra maneira de se obter um controle positivo é utilizando controles totalmente sintéticos do RNA do SARS-CoV-2. A Twist Bioscience (representada MSlabs) oferece duas sequencias referencias distintas, uma isolada da cepa de Wuhan e outra na Austrália. Para esse tipo de protocolo, exige-se apenas nível 1 de biossegurança no laboratório, já que o RNA é totalmente sintético.
A Twist também oferece painel target de NGS para uso em pesquisa, para detecção e caracterização viral de amostras que pode ser usado para monitoramento ambiental, testes de vigilância, ao mesmo tempo em que fornecem informações completas sobre a sequencia para monitorar a evolução viral bem como a origem da cepa.
Além disso, a MSlabs possui um amplo estoque de consumíveis, plásticos, equipamentos e biorreagentes e estamos prontos para lhe atender de maneira rápida.
Os vírus se espalham e não olham para fronteiras – saltam de animais para humanos e passam de um país para outro. Controlar a propagação de vírus emergentes e reemergentes exige esforços internacionais e colaboração de todos. Vamos juntos!

Fontes:

SARS CoV 2 Surto, epidemia ou pandemia. Instituto Butantan. Disponível em: https://youtu.be/fIddNwVUCWg. Acesso em: 23 mar. 2020.
Portal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Ministério da Saúde. Disponível em: http://portal.anvisa.gov.br/. Acesso em 25 mar. 2020.
Quais as semelhanças entre a Covid-19 e outras pandemias do passado? Saúde – MSN. Disponível em: https://www.msn.com/pt-br/saude/medicina/quais-as-semelhan%c3%a7as-entre-a-covid-19-e-outras-pandemias-do-passado/ar-BB11zRA8?li=AAggXC1&ocid=mailsignout. Acesso em: 25 mar. 2020.
Andersen, K.G., Rambaut, A., Lipkin, W.I. et al. The proximal origin of SARS-CoV-2. Nature Medicine. 2020. https://doi.org/10.1038/s41591-020-0820-9
Pesquisadores da Unicamp iniciam elaboração de teste para diagnóstico local do coronavírus. Portal da Unicamp. Disponível em:
https://www.unicamp.br/unicamp/noticias/2020/03/17/pesquisadores-da-unicamp-iniciam-elaboracao-de-teste-para-diagnostico-local-do. Acesso em 23 mar. 2020.
Weston, S., Frieman, M.B. COVID-19: Knowns, Unknowns, and Questions. mSphere – ASM. 2020. https://doi.org/10.1128/mSphere.00203-20
Patel, R., Babady, E., Theel, E.S., et al. Report from the American Society for Microbiology COVID-19 International Summit, 23 March 2020: Value of Diagnostic Testing for SARS–CoV-2/COVID-19. American Society for Microbiology. 2020. https://doi.org/10.1128/mBio.00722-20

2 Comments

  1. Cristiane Pereira disse:

    Excelente texto! Rico em informações! Obrigada !

  2. Beatriz Paiva disse:

    Texto excelente, informações importantíssimas. Gratidão

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *